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Liszt Rangel

Liszt Rangel

Liszt Rangel é jornalista, psicólogo, com atuação clínica, de base analítica, e historiador, com pesquisas acerca das Civilizações Antigas. Há quase 20 anos se dedica a estudar o Jesus Histórico e o Cristianismo Primitivo, realizando investigações na Europa, Oriente Médio e África. Como escritor, já publicou dez livros, sendo cinco livros na área da Psicologia.

Atualmente, muitos são os investimentos por parte de vários institutos que contam com pesquisadores dedicados a encontrar a família desaparecida de Jesus. 

Pirâmide de MaslowOs que viveram a década de 80 devem lembrar, certamente, da famosa música dos Titãs, "Comida".
A letra diz assim: "Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte; a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte..." Pois bem, o hit agitou a "galera", mas mandou um recado em forma de pergunta: de que, realmente, você tem necessidade?

 

Em 2013, uma instituição não-governamental nos Estados Unidos publicou uma pesquisa interessante, após entrevistar as pessoas em diferentes estados. Os dados revelaram que de cada dez coisas que os cidadãos possuem, na verdade só necessitam de quatro.

 

Observa-se, por exemplo, o desenvolvimento da espécie humana desde o Homem de Neanderthal, onde a ingestão excessiva de gordura tinha uma finalidade, preservar a espécie, ajudar na sobrevivência durante os períodos de inverno. Neste período, onde a caça ficava mais rara e de alguma forma os alimentos não eram produzidos pela natureza, o Homem tinha que se preparar para a necessidade. E hoje, já temos necessidade de ingerirmos tanta comida assim, para nos mantermos vivos, quando o inverno chegar? Pelo contrário, a comida em excesso, e levando em conta a sua qualidade, tornou-se um dos maiores ladrões da saúde.

 

Abraham Maslow observou os indivíduos e suas necessidades. Ele as chamou de Necessidades Básicas e as dividiu em grupos escalonados, em forma de pirâmide. A de comer, a de dormir, a de fazer sexo, a de beber água e outras, ele as denominou de necessidades Fisiológicas. "É inteiramente verdadeiro que o Homem vive apenas de pão quando não há pão. Mas o que acontece com os desejos do Homem quando há muito pão e sua barriga está cronicamente cheia?". (MASLOW, 1970). Maslow percebeu que para se galgar outros níveis que ele chamou de necessidades "superiores", é preciso ter as primeiras satisfeitas.

 

Para Maslow, fica muito difícil falarmos em ética, honestidade e justiça para quem não tem suas necessidades fisiológicas satisfeitas e pedir a esta sociedade que não vá para as ruas reclamar, nem fazer protesto. Muito menos, esperar que tenhamos segurança social quando os próprios "bandidos" estão mais bem equipados e organizados do que aqueles que deveriam manter a segurança nas ruas. Ainda para o estudioso, o nível de reclamações e até a forma como uma sociedade reivindica suas necessidades, vai às ruas reclamar, reflete os valores da mesma. (Grifo nosso).Violência nas ruas 1

 

Por outro lado, Maslow reflete acerca do momento em que a sociedade está demasiadamente, absurdamente farta, ou como ele chama "enfadonha", por ter vivido apenas da satisfação das necessidades tidas como "inferiores". Países como a Dinamarca, a Noruega, a Suíça e o Japão registram altos índices de suicídio. E isto refletiria a chegada ao topo da pirâmide? O lugar em que os indivíduos se encontram satisfeitos, seria motivador para alguém perder a vontade de viver? Não, não é isso!!! Para Maslow, a tendência é que o Homem vá crescendo em seus anseios, aprimorando suas necessidades, mudando essencialmente seus valores e assim, ele continua se satisfazendo, ou como diria Maslow, se auto-atualizando.

 

Após as necessidades fisiológicas, o Homem busca a de Segurança que lhe trará a estabilidade. Os altos índices de depressão, estresse pós-traumático, transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada têm também como causa a instabilidade social e as relações interpessoais, afinal de contas nos marcamos e na maioria das vezes estas marcas trazem traumas profundos, como se verifica no convívio em família. Para tanto, resolvemos trocar nossa liberdade pela segurança em automóveis blindados, com alarmes, vidros elétricos, travas automáticas, sem esquecer dos muros com cerca elétrica das residências e a vida isolada dos grandes condomínios. Já não se sai mais para ir às compras, as solicitamos em casa. O sociólogo, Zigmunt Bauman, em seus tratados sociológicos esclarece que trocamos a liberdade pela segurança, mas agora sufocados por tanta segurança, ou seja, "enfadados", já não somos mais felizes, justamente por termos nos afastado de algo indissociável, a nossa natureza.

 

Sobre a natureza humana, Alfred Adler, psicólogo, também se aprofundou nestes estudos, quando se referiu à perda de nossa liberdade ao nos afastarmos de nossa natureza. Em sua perspectiva, o mais curioso de tudo é que, quanto mais vivemos com o outro, mais somos independentes e livres. Todavia, frequentemente, pensamos o contrário. E ainda há quem pense que há liberdade e felicidade apenas para si. Sobre isto, Cazuza, o poeta da música brasileira, escreveu que "As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor!!! Viver a liberdade, amar de verdade, só se for a dois!"

 

Em seguida, Maslow observou que o Homem parte para satisfazer a necessidade do Amor, buscando família e amizade. Ele não se refere ao amor idealizado, pois este por ser inacessível, não satisfaz, frustra. O amor como algo que mobilize a saída de si em direção à alguém, e desdobrando-se até mesmo a uma causa. Neste sentido, Leonardo Da Vinci, Einstein, Jesus e Sócrates foram grandes amantes. Amantes da arte, da ciência, da filosofia, do Homem e de sua Humanidade...

 

Avançando em sua caminhada, a sociedade chegará a usufruir de necessidades que estão nos pontos mais altos da pirâmide, a da Autoestima e a da Autoatualização. Respeitando-se, já não se corrompe e a consciência acusa sua conduta através da aprovação. Compreende que o que faz ao outro, tem diretas consequências sobre seu bem ou mal estar. O respeito por si mesmo, eleva sua autoestima, pois reflete a lucidez de suas escolhas. O poder agora está com ele (indivíduo) e não pelo que dizem sobre o que ou quem ele é.

 

No tocante à autoatualização, o Homem examina sua capacidade e se realiza, ao invés de se colocar como um eterno pecador, como apregoa o Cristianismo. A sua inspiração não se encontra num mito de sofrimento a ser copiado, nem ele irá se realizar na postura de hipocondríaco, chamando atenção para sua dor, como se fosse um mártir da autoflagelação. Só a autorrealização, momento em que o indivíduo se conhece, pode oferecer-lhe a satisfação ainda que distante da tão sonhada e ilusória plenitude. Esta autorrealização, muitas vezes, custa-lhe o preço de uma viagem dolorosa inicialmente, mas realiza-o quando em contato com sua natureza profunda.

 

O indivíduo autorrealizado é o oposto daquele que evoca e vive o complexo de Jonas. Jonas foi aquele da Bíblia, que preferiu fugir ao compromisso de ser um profeta com suas responsabilidades e capacidades.

 

Quantos Jonas, portanto, existem que não desejam assumir seus compromissos perante si mesmos, para com o próximo nem com a sociedade? E assim, evitam o contato com seu potencial, com suas capacidades, sabotam a si mesmos e desta forma, fogem das responsabilidades de uma transformação não apenas interior, mas também, não contribuem para uma renovação social.

BIBLIOGRAFIA

Maslow,A. Motivation and Personality. Ed. rev. New York: Harper and Row, 1970.

O presente artigo trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo. Não visa questionar as manifestações religiosas, muito menos vilipendiar a vivência da religiosidade. O estudo foi desenvolvido para comparação e análise das diferentes formas de ver o "invisível" e de como o Homem com o passar dos séculos vem se relacionando com o que ele chama de magia, de místico, de espiritual, ou até mesmo de herança cultural. Ainda que respeitando o anacronismo entre o passado e o presente, é cabível uma reflexão aprofundada de como alguns indivíduos não apenas se refugiam na religiões e em suas manifestações, mas como ainda a apreciam e com finalidades muitas vezes contrárias aos princípios ético-morais difundidos pelas mesmas.

Há quem pense que é desesperador para os crédulos que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus, descobrir que a grande maioria dos fatos que ali se encontram, não há a base que possa sustentar a autenticidade dos mesmos. Não, não há desespero para os crentes. E isto facilmente se explica, porque a Fé não precisa de esclarecimenos, pois exige, simplesmente, a crença, ainda que no absurdo ou no absoluto!

Paralelo, correndo por fora, encontram-se grupos de pesquisadores da Bíblia, e de outros interessados, mas cujas observações estão apoiadas de duas formas, nada científicas. O primeiro grupo tenta realizar escavações arqueológicas, segurando em uma das mãos, a Bíblia. Este tem o intuito de achar na cultura material o que foi citado nas Escrituras como sendo verdade. Estes arqueólogos têm patrocinadores que correspondem, quer aos interesses políticos em Israel, quer à dominação religiosa de determinada Intituição, seja entre os Protestantes ou entre os Católicos.  

O outro grupo, em especial o dos que buscam a atualização da Bíblia, segundo suas religiões ou doutrinas espiritualistas, cometem o abuso do bom senso, a descaracterização da razão em por em evidência que traduzem textos por demais adulterados, enxertados, manipualdos e ainda com a falsa promessa que estão levando ao público leigo, traduções originais dos textos dos Evangelhos ou do Velho Testamento.

No que concerne a um dos líderes do povo de Israel, uma figura bem simpática aos cristãos, Moisés, como personagem central de novela ou de filme, e não apenas da Torá, bem como, sua trajetória de vida encontram-se perdidas nas areias do Saara ou no imaginário popular judaico-cristão. Sim, não há até hoje quem possa, simplesmente, recorrendo às traduções bíblicas falar de Moisés com propriedade, até porque os livros do Gênese e do Êxodo, surgem em suas primeiras anotações, depois de longos sete séculos de tradição oral, ou seja, setecentos anos após terem ocorrido os supostos fatos que envolvem Moisés e sua nada convincente fuga do Egito.

Mas, os fervorosos leitores e crentes da Bíblia não estão preocupados com isso. E assim, se passa por cima da razão e do bom senso!

Um dos episódios que ficaram famosos em sua trajetória, foi a subida ao Monte Sinai, atualmente, localizado nas terras Egípcias, na Península do Sinai. O Monte Sinai fica a 2.800 mts de altitude. Uma imensa montanha rochosa em cor avermelhada, em especial quando castigada pelo sol escaldante do deserto. Entretanto, quando cai a noite, a temperatura acompanha a queda e o frio castiga os aventureiros e crentes que desejam chegar ao topo, e o cansaço é amenizado por uma barra de chocolate nada agradável e bem barata.

A tradição bíblica conta que ali, no Sinai, Moshé, como é conhecido Moisés entre os israelenses, teve sua experiência com Deus, ao ponto de tornar-se íntimo e receber os dez mandamentos diretamente da vontade de Jeová. Já tratei em outro artigo (Moisés recebeu os Dez Mandamentos?), deste episódio e de como as Leis egípicas foram incorporadas às Leis de Moisés. Todavia, o que chama mais atenção, são as descobertas arqueológicas que mostram que Moisés nunca esteve no Monte Sinai, tão pouco há registros para uma demanda tão elevada de uma etnia, como a dos hebreus, na fuga do Egito.  

Por mais estranhas que possam parecer as histórias maravilhosas que giram em torno de grandes personalidades, como Buda, Lao Tsè, Apolônio de Thiana, Jesus e outras, elas devem ter no mínimo uma explicação lógica.

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