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O pequeno vendedor de pedras
26 Jan

O pequeno vendedor de pedras

Texto e Foto
Liszt Rangel

Certo dia, certa feita, eu cruzava o deserto do Saara, no Egito, em direção à cadeia de montanhas na Península do Sinai. Meu objetivo era conhecer o Mosteiro, situado ao pé do Monte Sinai e examinar alguns antigos documentos da época do Cristianismo Primitivo.

Saímos da cidade do Cairo, e por quase 4 horas, viajando de carro, paramos em algumas pequenas cidades muito pobres, à semelhança de vilas. Conhecemos pessoas, compartilhamos da mesma refeição simples dos moradores locais, sentimos o calor não só do Deserto, mas também, da imensa carência que vagueia por aquela região.

Liszt e o vendedor de pedras semi preciosasPorém, algo na estrada me chamou a atenção e pedi para que meu guia, um Professor de História e Arqueologia, com Mestrado pela Universidade do Cairo, parasse imediatamente o automóvel, e voltasse, pois algo na estrada havia me despertado a atenção. Ele não entendeu meu pedido, mas assim o fez.

Parei diante de uma bela cena. Um garoto, ainda adolescente, sentado à beira da estrada, vendendo lindas pedras, mas, de pouco valor comercial...

Depois de conversar com ele, conhecendo um pouco sobre aquelas pedras, o motorista do veículo em que eu estava, retirou da pulseira de seu braço uma pedra verde, que cintilava muito, e de relativo tamanho. Então, perguntou se o Pequeno Vendedor não trocaria todo aquele monte de pedras por uma única, a que ele tinha nas mãos, mostrando a gema verde.

O garoto sorriu, olhou, e lhe perguntou: "Mas, o que eu faria com uma pedra apenas? Tenho muitas outras para vender... Não vale a pena, não quero!"

Fiquei sem entender a motivação daquele diálogo, até que ao voltar para o carro, o motorista me disse, "a pedra que ofereci ao garoto, senhor Liszt, é uma esmeralda, mas, ele aprendeu a vender pedras como alabastro, turmalina, quartzo e outras... Ele não sabe nem o que é uma esmeralda, muito menos seu valor."

E de fato, fiquei pensando no caminho... Sobre valores, vivência e conhecimento. O PEQUENO VENDEDOR sequer tocou na pedra, e logo a rejeitou... Realmente, quem sempre viveu com qualquer pedra, não saberia o valor da riqueza de uma esmeralda!

Assim, ocorre com você, comigo, com todos nós... Será que, às vezes, também, não somos como O PEQUENO VENDEDOR DE PEDRAS? Pois, não podemos reconhecer o valor de algo maior, externo, que nos dão, quando não cultivamos em nós. E assim, perdemos grandes oportunidades na Vida, e continuamos vendendo, simplesmente, pedras, à beira do caminho...

Ler 39 vezes Última modificação em Sexta, 26 Janeiro 2018 17:19
Liszt Rangel

Liszt Rangel é jornalista, psicólogo, com atuação clínica, de base analítica, e historiador, com pesquisas acerca das Civilizações Antigas. Há quase 20 anos se dedica a estudar o Jesus Histórico e o Cristianismo Primitivo, realizando investigações na Europa, Oriente Médio e África. Como escritor, já publicou dez livros, sendo cinco livros na área da Psicologia.